terça-feira, 21 de outubro de 2014

O ÓDIO COME A GENTE


O ódio está presente em nossa vida, ele é um pecado. Há várias causas pra termos esse sentimento nada agradável. Antes de começarmos a falar sobre ódio, vamos ver o que significa.

O QUE É O ÓDIO?
R: Raiva; Detestar; Rancor.

JACÓ, CONTA-NOS A BÍBLIA, OBTENDO O DIREITO DE PRIMOGENITURA POR UM PRATO DE LENTILHAS, GANHANDO A BÊNÇÃO DO PAI POR UMA SOPA FEITA ÀS PRESSAS, FUGIU DA IRA DO IRMÃO MAIS DE UMA VEZ.

“ESAÚ GUARDOU RANCOR CONTRA JACÓ POR CAUSA DA BÊNÇÃO QUE SEU PAI LHE DERA. E DISSE A SI MESMO: OS DIAS DE LUTO PELA MORTE DE MEU PAI ESTÃO PRÓXIMOS, ENTÃO MATAREI O MEU IRMÃO” (Gênesis 27.41)

Esaú guardou rancor, ou seja, ódio contra seu irmão que aproveitando o fato do pai estar velho e cego, obteve a bênção que era pra ser de Esaú. Jacó foge de seu irmão, Jacó também foge de seu sogro.

JACÓ PREPARANDO-SE PARA O ENCONTRO COM SEU IRMÃO FAZ A SEGUINTE ORAÇÃO:

Então Jacó orou: "Ó Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó Senhor que me disseste: ‘Volte para a sua terra e para os seus parentes e eu o farei prosperar’; não sou digno de toda a bondade e lealdade com que trataste o teu servo. Quando atravessei o Jordão eu tinha apenas o meu cajado, mas agora possuo duas caravanas.
Livra-me, rogo-te, das mãos de meu irmão Esaú, porque tenho medo que ele venha nos atacar, tanto a mim como às mães e às crianças
(Gênesis 32:9-11)

O ENCONTRO ENTRE OS IRMÃOS ACONTECEU:

“Quando Jacó olhou e viu que Esaú estava se aproximando, com quatrocentos homens, dividiu as crianças entre Lia, Raquel e as duas servas.
Colocou as servas e os seus filhos à frente, Lia e seus filhos depois, e Raquel com José por último.
Ele mesmo passou à frente e, ao aproximar-se do seu irmão, curvou-se até o chão sete vezes.
Mas Esaú correu ao encontro de Jacó e abraçou-se ao seu pescoço, e o beijou. E eles choraram”. 
(Gênesis 33:1-4)

As vezes ficamos a pensar, como isso é possível? Uma bênção roubada motivada pela mentira, produziu ódio no coração de Esaú contra seu irmão, um desejo de matar, e no encontro entre eles os dois se abraçam,se beijam e choram. Isso é perdão.

Outra ilustração que podemos dar é a história de Ives Ota.
Na manhã de 29 de agosto de 1997, o menino Ives Ota, então com 8 anos de idade, foi sequestrado por três homens quando brincava na sala de sua casa, na Vila Carrão, Zona Leste de São Paulo. Na tarde do mesmo dia, estava morto. Foi assassinado com dois tiros no rosto porque reconheceu um de seus sequestradores, Paulo de Tarso Dantas, como um dos policiais militares que trabalhavam como seguranças nas lojas de seu pai (os outros dois eram Sérgio Eduardo Pereira de Souza, também policial, e Sílvio da Costa Batista), o comerciante Massataka Ota. Atualmente, Ota, nascido na província japonesa de Okinawa, dirige uma fundação que se dedica a ajudar, além de crianças carentes, criminosos condenados. Pelo menos duas vezes por mês, ele visita o presídio militar Romão Gomes levando sementes e implementos agrícolas. Dois dos assassinos de Ives, os ex-PMs, estão presos lá. Ota já pensou em matá-los, mas hoje diz tê-los perdoado.

Entrevista com a revista VEJA:

Veja – O que aconteceu quando o senhor encontrou com os sequestradores no julgamento?
Ota – Quando eu cheguei ao fórum, eles estavam numa sala, os três juntos. O juiz disse que, se eu quisesse, poderia vê-los pelo olho mágico. Só que, em vez de olhar pelo olho mágico, eu fui lá e abri a porta. Fiquei frente a frente com os três. Eles abaixaram a cabeça. Eu cutuquei um de cada vez e falei: "Olha para mim, olha para o pai do garoto que vocês mataram". Eles não olhavam. Aí, eu disse: "Vocês mataram meu filho, mas eu não vou matar vocês. Vim aqui para perdoar vocês". Eu não tinha planejado falar aquilo, mas saiu. Naquele momento, eu nem sabia por que eu falava aquilo.

Veja – Era sincero?
Ota – Naquele momento, não sei.

Veja – Quando o senhor achou que conseguiu perdoá-los de verdade?
Ota – Foi quando um programa de TV me convidou para um encontro com eles. Aceitei justamente porque queria saber se, de fato, eu conseguiria encará-los sem ódio. Os dois militares não aceitaram o convite do programa. Fui para Avaré, para me encontrar com o terceiro seqüestrador, que é civil. Eu estava tremendo. Quando senti que ele já estava no corredor, vindo na minha direção, fiquei com medo. Pensei que fosse ter vontade de esganá-lo. Mas quando ele chegou à minha frente, o nervosismo passou. Aí, comecei a falar, falar e saí de lá muito aliviado. Foi quando tive a certeza de que eu tinha perdoado.

Veja – Perdoar ajudou?
Ota – Ajudou. Porque o ódio come a gente. Quando você consegue desculpar sinceramente a pessoa que lhe fez mal, você se sente muito melhor. Perdoar não é só bom para quem é perdoado. É bom para quem perdoa também.

Veja – O senhor disse que recentemente tentou novamente conversar com os assassinos de seu filho e eles se recusaram. O que ainda gostaria de dizer para eles?
Ota – Eu queria que um dia eles me pedissem perdão pelo que fizeram.

Veja – Por que o senhor considera isso importante? 
Ota – Não sei bem por quê. Mas eu queria. Acho que para poder chegar em casa e dizer para a minha mulher: "Olha, hoje fui lá, conversei com eles, e eles pediram perdão". Acho que ela iria ficar contente.

Lendo esse fato incrível vemos que perdoar não é esquecer, porque esquecer é amnésia (perca de memória), perdoar é aceitar o faltoso novamente e recomeçar uma nova história.

Palavras de Jesus sobre vingança e amor aos inimigos:
“Vocês ouviram o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado.
Vocês ouviram o que foi dito: Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu pai que está nos céus. Porque Ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.”
                                                                        (Mateus 5 38-45)


Faça uma pergunta para você mesmo: “como posso me aproximar da pessoa que tanto tem ódio de mim?”, podemos ter a mesma atitude de Jacó quando seu irmão teve ódio dele, a atitude de Jacó foi orar a Deus pedindo orientações, pois ele estava com medo.

Se você tem dificuldades de perdoar, se você fala a si mesmo “Eu não consigo perdoar!”, lembre-se das palavras de Massataka Ota:

Perdoar ajudou?
Ota – Ajudou. Porque o ódio come a gente. Quando você consegue desculpar sinceramente a pessoa que lhe fez mal, você se sente muito melhor. Perdoar não é só bom para quem é perdoado. É bom para quem perdoa também.

Nenhum comentário:

Postar um comentário